O
CONTACTO FíSICO
O contato
físico que se utiliza nas conversações muda
muito em função do contexto em que se tenha lugar,
a idade dos interlocutores (as crianças, por exemplo, são
mais de palpar), e fundamentalmente da relação que
tenham as pessoas. Utilizar o tacto durante as interações
sociais implica duas funções:
•
É uma maneira de dar a conhecer atitudes e emoções:
através do tacto informamos de que sentimos afeto, amor,
cordialidade, solidariedade. Tocar é sinal de expressividade
e de extroversão. Em alguns casos, é além
do mais indicativo de diferença de status, quando o contacto
físico é unidirecional.
•
É um sinal que regula a interação social:
é o caso dos cumprimentos, as despedidas, os parabéns
ou os gestos habituais de cortesia como colocar-lhe o agasalho
a uma mulher.
A utilização
do contacto físico como um recurso comunicativo se costuma
utilizar mais em umas situações que em outras:
•
Quando damos um conselho, mais que quando o pedimos.
•
Ao dar uma ordem, mais que quando a recebemos.
•
Ao pedir um favor, em contra do fato de aceitar-lo.
•
Ao tentar persuadir de algo, mais que quando estamos sendo persuadidos.
•
Em conversações sobre assuntos emotivos e profundos.
•
Em ambientes distendidos, como festas, shows, etc.
•
Quando tratamos de transmitir um estado de excitação,
mais que quando estamos do lado da pessoa que escuta.
•
Quando recebemos mensagens de preocupação, mais
que quando somos os que transmitimos preocupação.
Existem
grandes variações culturais no que se refere à
quantidade e o tipo de contacto físico que se da nas interações
sociais. E também se tem demonstrado que existem diferenças
de gênero: em geral, os homens costumam tocar mais as mulheres
que estas aos homens.
Como
mencionávamos no caso do espaço pessoal, devemos estar
atentos aos sinais de agrado o desagrado que nos mandam os demais
em relação a nossa forma de nos expressar utilizando
o contacto físico.
Aparência
pessoal
O aspecto
exterior das pessoas conta com uma série de características
que em princípio não são modificáveis
(exceto por o uso da cirurgia plástica), como podem ser a
forma do rosto, a altura, a estrutura corporal, etc. Mas, a maior
parte dos componentes da aparência pessoal são completamente
modificáveis (cor do cabelo, maquiagem, tipo de roupa, musculatura,
depilação, utilização de lentes descartáveis…).
A lista de possíveis mudanças a fazer na aparência
pessoal é interminável, e mais na época atual,
que favorece este tipo de transformação.
A aparência
pessoal tem um valor comunicativo muito potente; de fato, a primeira
impressão que os demais fazem de nós, vem determinada,
além do mais de por os esquemas mentais do que observa. As
pessoas extraímos conclusões observando a aparência
pessoal sobre os aspetos tão dispares como a idade, a sexualidade,
a inteligência, o nível sociocultural…
Cada
pessoa utilizará o valor comunicativo da aparência
pessoal segundo seu próprio critério, sendo consciente
das possíveis inferências que os demais podem fazer.
Mas é verdade que em ocasiões as situações
nos podem exigir um câmbio em nossa aparência (pensemos
em um emprego onde se nos exige levar palitó e gravata, por
exemplo), e aqui cada pessoa tem a liberdade para aceitar ou não
esse tipo de câmbio. Não devemos irritar-nos, ou pensar
que nos estão restringindo a liberdade quando nos exijam
um câmbio de roupa num posto de trabalho ou num determinado
acontecimento social, pois responde sem dúvida a esse valor
comunicativo da aparência pessoal.