COMPONENTES
PARALINGüíSTICOS DAS HABILIDADES SOCIAIS
Como
dizemos anteriormente, os componentes paralingüísticos
são variáveis da voz, diferentes ao conteúdo
da mensagem, mas que o modulam. Tal como acontece com os componentes
não verbais, são em muitas ocasiões difíceis
de controlar e precisam de um esforço e trabalho pessoal
para tratar de mudar aqueles aspetos que nos prejudicam em nossas
interações sociais. É difícil, por exemplo,
acostumarmos a falar mais devagar de como o fazemos habitualmente.
Latência
A latência
se define como o tempo que transcorre entre o final da frase que
emite o interlocutor e o começo de outra por parte de outro
interlocutor. Geralmente, as latências muito curtas se associam
com conversações bastante animadas e a discussões.
Por contrario, as latências largas costumam se dar em conversações
“pasivas”, quer dizer, nas que pelo menos uma das pessoas
que fala não expressa com claridade suas idéias.
A situação
ideal para que a conversação seja fluida e cômoda
para todos os participantes, quer dizer, deixar que os demais terminem
suas frases antes de falarmos; mas, se a situação
requeira (pensemos no caso dos vendedores que não parecem
ter um final no seu discurso), então estamos em nosso direito
de interromper ao interlocutor, com expressões do tipo “agora
não posso atender-te”, “vou pensar”, etc.
Sempre é preferível dizer este tipo de frases que
ficar calados e deixar que tenha lugar um incômodo silêncio.
Volume
Os câmbios
no volume da voz têm como objetivo fundamental lograr que
os demais possam escutar o que dizemos. Mas o certo é que
em muitas ocasiões o volume da voz utilizado não se
ajusta às necessidades reais.
Um volume
baixo de voz geralmente costuma transmitir aos outros atitudes como
submissão, tristeza ou timidez. Pelo contrario, a voz muito
elevada pode indicar, segundo o contexto, seguridade, domínio,
extroversão, persuasão, ira ou rudeza. O volume moderado,
por contrario, quase sempre se associa a características
positivas, como agrado ou alegria.
É
uma situação concreta a que determina o volume de
voz mais adequado, embora a tendência que nos guie deve ser
aquela de não gritar, mas também conseguir que se
nos escute com claridade. Um fenômeno que tem lugar com freqüência
é o fato de que as pessoas utilizam um volume de voz correto,
exceto em situações especialmente difíceis
para nós, como pedir um favor, ou rejeitar um requerimento
de um amigo ou um colega de trabalho… É importante
por tanto centrar nossos esforços nestas situações
para melhorar nosso desempenho.
Tom
O tom
da voz é a qualidade que se produze por uma maior ou menor
tensão das cordas vocais, dando como resultado uma voz mais
aguda ou mais grave. Esta variável se considera fundamental,
pois diferentes tons podem mudar completamente uma mesma mensagem
verbal. A expressão “Gostei muito do show!” podemos
dizer com um tom sarcástico ou convincente, por exemplo.
Além do mais, uma mesma sentencia podemos dizer-la mudando
o tom de maneira que faça finca-pé numa palavra ou
outra, e variando assim a intencionalidade da mensagem. Vamos ver
o exemplo seguinte aonde se tem sublinhado a palavra que se quis
enfatizar:
Tomara
que volte a ver-lo. A intenção é enfatizar
o desejo, o interesse por ver-lo de novo.
Tomara
que volte a ver-lo. Assim se quere expressar que o que se deseja
é ver-lo, não manter outro tipo de contato que não
seja o contato direto.
Nos casos
nos que o tom proporciona uma informação contraria
ao conteúdo verbal, geralmente concedem maior credibilidade
ao tom de voz.
É
conveniente mudar o tom ao longo da conversação, pois
assim se logra dar uma maior sensação de dinamismo.
Isto se pode lograr de varias maneiras.
•
Mudando o tom nas palavras que nos interessa ressaltar
•
Elevando o tom ao final das perguntas
•
Baixando o tom ao final das afirmações
Um tom
monótono, que não muda, pelo contrario, é sinal
de aborrecimento e a monotonia.